Produção de habitação exige mais do que IVA reduzido, segundo Cushman & Wakefield

Estudo destaca o potencial do modelo Build-to-Rent, sem expressão em Portugal

(Foto Efrem Efe/Pexels)

(Foto Efrem Efe/Pexels)

A Cushman & Wakefield divulgou o seu primeiro relatório dedicado à promoção residencial na Grande Lisboa e Grande Porto, concluindo que o problema da habitação em Portugal é estrutural e exige muito mais do que medidas fiscais pontuais, como a redução do IVA.

Num contexto de crescente pressão da procura e oferta insuficiente, o estudo alerta para o agravamento das dificuldades de acesso à habitação no segmento médio e sublinha a necessidade de novos modelos de promoção, em particular o Build-to-Rent (BTR), como resposta essencial para gerar escala e aumentar a oferta.

O relatório da C&W analisa a evolução do mercado ao longo da última década nos principais concelhos das duas áreas metropolitanas, identificando onde se construiu mais, que territórios concentraram a atividade de licenciamento e como as dinâmicas demográficas têm influenciado a promoção de habitação.

A análise inclui ainda a evolução dos preços de venda e arrendamento, evidenciando assimetrias territoriais e uma crescente divergência entre centros e periferias.

“Portugal enfrenta há vários anos um problema grave de falta de oferta habitacional, estrutural e multifacetado, que importa compreender de forma clara para podermos encontrar soluções eficazes”, afirma Ana Gomes, Partner e Head of Research da C&W Portugal.

“A ambição é que este relatório, com periodicidade bienal, se torne uma referência para acompanhar a evolução do mercado e avaliar, de forma objetiva, o impacto das políticas públicas implementadas”, acrescenta Ana Gomes.

O estudo destaca o potencial do modelo Build-to-Rent, ainda sem expressão em Portugal, mas já muito relevante noutros mercados europeus, que, segundo a análise, “pode desempenhar um papel importante na criação de oferta com escala, embora enfrente desafios significativos ao nível de custos, enquadramento regulatório e acessibilidade das rendas”.

O relatório analisa também as medidas públicas mais recentes para estimular a oferta habitacional, incluindo o pacote “Construir Portugal – Arrendamento e Simplificação”, que introduz novos incentivos fiscais e mecanismos de apoio à promoção e ao arrendamento.

A Cushman & Wakefield considera que o impacto destas medidas dependerá da sua capacidade de gerar projetos com escala e de reduzir custos de forma efetiva.

Ana Gomes sublinha que “é importante não criar a expectativa de que a redução do IVA, por si só, irá desencadear uma nova vaga de construção”. 

Principais conclusões do estudo

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